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Provedora usa tribuna da Câmara para relatar crise


05/02/10

Acontece hoje à tarde nova reunião para uma segunda tentativa de acordo


A provedora acredita numa solução positiva
A provedora da Santa Casa de Misericórdia de Olímpia, Helena de Sousa Pereira, ocupou por mais de 30 minutos a Tribuna Livre da Câmara Municipal, na segunda-feira, dia 1º, para relatar a crise em que o hospital se vê mergulhado, por causa da ameaça de um grupo de 33 médicos que não querem mais fazer o chamado “plantão à distância” enquanto não for resolvida a pendência financeira existente.

Estes médicos, que já não prestam mais o plantão, pretendem parar oficialmente no dia 19 de fevereiro, caso não haja um acordo, em nova reunião marcada para a tarde de hoje, às 14 horas, na Secretaria Municipal de Saúde, envolvendo o advogado dos médicos, Gilson Eduardo Delgado, um representante da Unimed, o administrador do hospital, Mário Flores, a secretária de Saúde, Silvia Storti e a provedora Helena Pereira. O promotor Gilberto Ramos de Oliveira Júnior será o mediador. O promotor, inclusive, instaurou inquérito civil na segunda-feira, para acompanhar o caso.

Na Câmara, Helena começou dizendo que não estava ali para reclamar da exigência da remuneração, mas da obrigatoriedade que recaiu somente sobre o hospital desse pagamento, e não sobre a prefeitura também, conforme decisão em primeira instância, na qual a juíza da 1ª Vara, Andréa Galhardo Palma, eximiu o município da responsabilidade. “Lá só eu trabalho de graça, ninguém mais”, disse Helena, justificando os médicos.

Ela revelou que, mensalmente, a Santa Casa de Olímpia atende, somente pelo SUS, 3.774 pessoas nas emergências do Pronto Socorro, faz 323 internações, 127 cirurgias e cerca de 30 partos naturais ou cesáreas. A receita mensal, segundo ela, é de R$ 527,664 mil, enquanto a despesa é de R$ 623,722 mil, o que dá um déficit de R$ 96,057 mil. “Como manter um sistema funcionando, lidando com vidas humanas e não coisas, desse jeito? Estamos nos mantendo em pé por um milagre, só isso, Deus é olimpiense”, repetiu a provedora sua “frase-de-guerra”.

O “imbróglio” do plantão de disponibilidade não começou agora. Ele se arrasta desde 2006. No dia 22 do mês passado a provedora decidiu procurar o Ministério Público para não ser responsabilizada caso fosse concretizada a suspensão do plantão à distância.

PROPOSTA DO PREFEITO

O que deixou a provedora bastante desiludida na primeira reunião, sexta-feira passada, foi a proposta do prefeito Geninho (DEM) para ajudar a resolver o problema. Ele se disse disposto a repassar apenas R$ 15 mil, e ainda assim subtraindo esta quantia da mensalidade de R$ 65 mil comprometida para este ano com o hospital. Estes R$ 15 mil, aliás, é parte de um montante de R$ 180 mil destinados do duodécimo da Câmara Municipal. Embora Helena tenha tentado, na Câmara, justificar o que falou sobre este repasse, o Planeta apurou que de fato o prefeito pretende usar esta forma para repassar o dinheiro.

A proposta a ser fechada ou mudada para melhor hoje à tarde envolve R$ 5 mil como contrapartida da Santa Casa, os R$ 15 mil do prefeito e outros R$ 10 mil da Unimed. O valor ainda fica abaixo do que os médicos teriam a receber, algo em torno de R$ 50 mil por mês. A proposta que o representante dos médicos na primeira reunião iria fazer aos colegas era a de baixar o valor do plantão ao montante que seria possível ao hospital obter, ou seja, os R$ 35 mil. Outra idéia é fazer uma campanha junto ao comércio, indústria, grandes empresas como Thermas, Açúcar Guarani, etc, visando arrecadar dinheiro.

 
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